Cinema
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Borat 2: Fita de Cinema Seguinte (2020)

Há 14 anos aproximadamente assisti ao primeiro Borat, ou \”Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América\” . E o que vi foi uma comédia fantástica, bastante provocativa.
Os temas que o primeiro filme falou me chamou muito a atenção e eu até comentei aqui no Alguma Coisa de Cinema na época do lançamento do longa que Borat \”faz comédia com algo que não é comum\”.
Borat fazia piada com tudo e com todos, isso foi em 2007. E sempre imaginava que um filme do tipo Borat não funcionaria agora.
Mas ainda bem que eu errei. Ainda bem que ainda tem pessoas como Sacha Baron Cohen, criador e própria criatura Borat, que tem a coragem de incomodar. Que tem a coragem de fazer piada com o inimaginável.
Em pleno 2020 a Amazon Prime lançou, sem muito alarde, Borat 2, ou melhor Borat 2: Fita de Cinema Seguinte (sério, esses nomes são excelentes).
Aqui Borat, novamente interpretado por Sasha Baron Cohen tem uma nova missão nos Estados Unidos. Fazer com que o líder de seu país Cazaquistão entre para um grupo de líderes malvados, encabeçado por Donald Trump. Inclusive o presidente brasileiro é citado como parte desse grupo, ao lado de Putin e outros, mas é a única vez que é citado. O alvo no longa é Trump e sua turma.
Borat tem que levar um presente para conquistar a amizade dos próximos de Trump e é incumbido de levar um macaco, astro do Cazaquistão, ao vice presidente americano Mike Pence, o que claro dá errado.
O macaco falece no caminho, mas logo é substituído pela filha do personagem principal, Tutar Sagdiyev, vivida pela atriz Maria Bakalova.
Maria é ponto alto no longa, as interações delas com Sasha e também com outras pessoas engrandecem ainda mais o tom cômico do filme.
Além da mudança do presente, muda-se também a pessoa a ser presenteada, o amigo e conselheiro de Trump, o ex prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani.
Inclusive a cena com Rudolph Giuliani são umas das mais polêmicas do filme e com certeza vai dar o que falar.
Assim como no longa anterior, as situações bizarras/constrangedoras em Borat 2 são o ponto alto do filme. O filme não é ótimo igual ao primeiro, mas tem seus bons momentos, como a cena do Fax ou a do cupcake por exemplo. A reação das pessoas são hilárias, de tão constrangedoras.
Borat 2 tem a coragem, assim como no primeiro filme de fazer piadas assuntos que ninguém tem coragem.
A piada da origem do Coronavírus foi um pouco pesada de se fazer, mas graças a ela temos uma participação especial de um astro de Hollywood, Tom Hanks, realmente inesperada. Inesperada, divertida e pesada. Realmente não sei se é o melhor momento a se fazer piada com Covid-19 (se é que vai ter um momento), mas se uma pessoa que teve a doença, como Hanks, brincou com isso, quem sou eu pra julgar a piada.
Borat: Fita de Cinema Seguinte é um bom filme, quase do nível do primeiro e vale o play na Amazon, mas por sua conta e risco e claro se você não for defensor de Trump, Terraplanista, ou até mesmo cidadão do Cazaquistão (a lista de criticados no filme é longa).
Nota do filme: 3,5/5
O Tremor (2020)
Logo de cara identifiquei com o personagem principal desse longa escrito e dirigido por Balaji Vembu Chelli.
Assim como o personagem principal, na minha época de jornalismo, fiz a cobertura de um tremor de terra. No meu caso, na minha cidade, no interior de Minas Gerais enquanto no filme numa vila do Interior da Índia.
Devido a essa identificação inicial fui torcendo para que o jornalista conseguisse entregar sua matéria sobre o terremoto de forma satisfatória como eu entreguei.
Mas o protagonista do filme parecia não ter um desfecho parecido com o meu.
E na primeira parte do filme a gente vê a dificuldade de fazer a referida matéria. Ninguém na vila para falar com o personagem, e boa parte do filme ele se encontra nessa jornada solitária. E a identificação continuava, qual reportagem era fácil de fazer na vida real?
De repente entra um “personagem” novo na história, uma névoa que vai cobrindo o local onde o jornalista está, dificultando ainda mais o trabalho dele. E não foi só a névoa que dificultava. De repente aparecia um ou outro personagem humano, que também dificultava a vida do personagem.
E a cada nova cena, um novo mistério. E todos, em vão. Como se fosse uma série de J.J. Abrams (sim, estou citando Lost), O Tremor apresenta vários elementos que seriam interessantes se concluídos de forma digna, o que não ocorreu.
E a falta de conclusão de propostas feitas fez com que eu realmente desanimasse com o filme. Ou melhor, decepcionasse com o filme.
O Tremor tinha um potencial de ser um ótimo filme. Acaba sendo um filme confuso.
O diretor aqui não sabe se faz Mistério, Comédia, Terror, ou outro gênero qualquer. Experimenta de tudo e nada convence. O visual do filme é interessante, os cenários são belos, mas o roteiro é confuso.
Outra coisa confusa em O Tremor foi a escolha da trilha sonora. Em um momento a imagem mostrava o trabalho do jornalista andando de forma séria atrás de um idoso que mostraria o local do terremoto, mas a trilha ouvida era de uma musica utilizada constantemente em comédias. Por isso comentei acima que o Diretor parecia não saber o que queria.
Dos filmes que eu assisti na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, até o momento, O Tremor foi o filme que mais me decepcionou.
Mas como sempre falo no Alguma Coisa de Cinema, seja aqui no site ou nos vídeos/podcast: Se um filme não é bom para mim, pode ser bom para você. Quem sabe O Tremor não é o filme da Mostra para você ?
Alice Guy-Blaché: A História não contada da primeira cineasta mulher (2018)

Mas quem é essa mulher? Isso é o que vemos no excelente documentário \”Alice Guy-Blaché: A História não contada da primeira cineasta mulher\”.
O documentário tem a direção, produção, roteiro e até a montagem de Pamela B. Green, uma novata nos filmes. E é impressionante o que ela faz no documentário.
Inicialmente eu me senti mal de não conhecer a história dela, mas vendo o filme, pude perceber que a própria industria do cinema não conhecia, o que é uma pena.
Alice Guy-Blaché foi a mãe do Cinema. Foi a primeira mulher Cineasta. Fez parte da do início do Cinema ao lado dos Irmãos Lumiere e foi apagada.
Alice produziu milhares de filmes que acabaram se perdendo na história. Ela mesma procurou incansavelmente por eles. Procurou também por ganhar o devido crédito que lhe foi tirado.
O trabalho de Pamela B. Green nesse documentário foi excelente. Além de entrevistas com grandes nomes dos filmes, ela procurou por pequenas coisas de Alice Guy-Blaché e foi dando luz ao que estava apagado. Pamela procurou restaurar fotos, filmes, e a cada nova descoberta ela fazia também o nosso papel de expectador, sempre vibrando com cada coisa.
Esse documentário \”Alice Guy-Blaché: A História não contada da primeira cineasta mulher\” é mais que recomendo para quem gosta de Cinema. Contar essa história apagada pela própria indústria é mais que necessária.
O documentário só não é perfeito pois poderia ter um site com os materiais restaurados, inclusive os filmes da Alice Guy-Blaché. Eu não encontrei o site, mas graças a esse filme conheci uma ótima história e fui atrás dos filmes. A maioria que foi restaurado se encontra disponível no YouTube ou em outros site.
Vale a pena conhecer a história. Vale a pena assistir a \”Alice Guy-Blaché: A História não contada da primeira cineasta mulher\”.
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Alice Guy-Blaché: A História não contada da primeira cineasta mulher
Título original: Be Natural: The Untold Story of Alice Guy-Blaché
Direção Pamela B. Green