Twisters deixa claro desde o início que não está interessado em reinventar o cinema-catástrofe. A proposta é outra: entregar um blockbuster de verão bem calibrado, tecnicamente competente e fácil de consumir. E nisso o filme é bem-sucedido. Durante a sessão, há tensão, espetáculo e ritmo suficiente para manter o interesse. O problema é que tudo funciona apenas enquanto dura. Assim que termina, a experiência se dissolve sem deixar impacto real.

A existência do filme se justifica como entretenimento, mas não como ideia nova. Twisters acerta ao evitar o rótulo de sequência direta do clássico de 1996, o que o livra de comparações narrativas mais pesadas. Ainda assim, vive claramente à sombra daquela estrutura. É uma atualização técnica pensada para um público mais jovem, não uma releitura conceitual do gênero. Funciona, mas dentro de limites muito seguros.

O roteiro entende bem suas prioridades. Existe um trauma passado que motiva a protagonista, rivalidades entre grupos de caçadores de tornados e um esboço de conflito humano, mas tudo isso serve principalmente como ponte entre as grandes set pieces. O drama está lá, porém de forma funcional, sem aprofundamento suficiente para gerar envolvimento emocional. A história nunca falha completamente, mas também nunca se impõe como algo memorável.

O tom segue a cartilha do blockbuster moderno de aventura. É leve, acessível e constantemente preocupado em não se tornar sombrio demais. O perigo é real o bastante para criar tensão, mas sempre acompanhado de carisma e humor que mantêm o filme em uma zona confortável para o público geral. Não há risco emocional, apenas risco calculado de espetáculo.

Nas atuações, o diferencial aparece de forma clara. Glen Powell é quem realmente injeta energia no filme. Seu carisma sustenta cenas que, no papel, seriam genéricas. Ele entende o tom e joga a favor dele, elevando o material sempre que está em cena. Daisy Edgar-Jones cumpre corretamente o papel da cientista marcada por um trauma, mas sua personagem é escrita de maneira previsível. A dinâmica funciona mais pela presença de Powell do que pela força dramática do roteiro.

Na direção, Lee Isaac Chung entrega eficiência técnica absoluta. As cenas de ação são claras, bem coreografadas e nunca confusas, algo essencial em um filme desse tipo. A escala dos tornados é bem trabalhada, e o senso espacial se mantém mesmo nos momentos mais caóticos. O que falta é personalidade. Nada aqui diferencia Twisters de outras grandes produções de estúdio igualmente competentes.

O ritmo flui bem na maior parte do tempo. As sequências de ação mantêm a energia alta, enquanto os momentos de exposição científica e romance criam pequenas barrigas. Nada que comprometa seriamente a experiência, mas o suficiente para lembrar que o filme segue uma fórmula conhecida. Visualmente, o CGI é sólido e convincente, e o design de som se destaca, ajudando a vender a sensação de perigo constante.

Twisters é o “arroz com feijão” bem temperado do cinema de desastre. Não cria impacto cultural, não tenta ir além do que se propõe e não deixa marcas profundas. Em troca, entrega exatamente o que promete: um blockbuster descompromissado, divertido e tecnicamente bem feito.

Nota 3/5

Twisters (Twisters)

Data de Estreia no Brasil: 11 de julho de 2024

Diretor: Lee Isaac Chung

Elenco: Daisy Edgar-Jones, Glen Powell, Anthony Ramos, Brandon Perea, Maura Tierney.