A sensação ao final de Madame Teia é uma mistura desconfortável de vergonha alheia com tédio. Não é apenas um filme ruim; é um filme que causa incredulidade. Fica difícil entender como um projeto desse tamanho, com orçamento alto e marca forte nas mãos, chegou ao público em um estado tão visivelmente problemático. Nada aqui transmite convicção criativa. Tudo soa provisório, mal pensado, quase constrangido de existir.

A própria razão de ser do filme denuncia seu maior problema. Madame Teia parece existir apenas para cumprir tabela, manter direitos contratuais e ocupar um espaço no calendário da Sony. Não há urgência narrativa, nem ambição de expandir o universo Marvel fora do óbvio. O longa não constrói um mundo, não estabelece personagens com peso e tampouco deixa qualquer sensação de futuro. É um derivado que não deriva para lugar nenhum.

O roteiro é o ponto mais baixo de uma produção já combalida. Incoerente, expositivo e pobre, ele trata o espectador como alguém que precisa ser constantemente guiado pela mão. Os diálogos explicam demais e dizem pouco, enquanto as motivações do vilão são genéricas e mal articuladas. As tentativas de conexão com o mito do Homem-Aranha soam forçadas, artificiais e, em alguns momentos, até embaraçosas. Nada se sustenta dramaticamente.

O tom é outro desastre. O filme oscila sem critério entre um suspense psicológico de baixo orçamento e um filme de super-herói datado, preso aos vícios dos anos 2000. Não há ação suficiente para empolgar, nem mistério bem construído para envolver. Essa indecisão constante impede qualquer tipo de identidade e faz o longa parecer uma colagem de ideias incompatíveis.

No centro disso tudo está Dakota Johnson, completamente deslocada. Sua atuação alterna entre o sarcasmo involuntário e um desinteresse quase palpável, como se a própria atriz soubesse que o material não merecia maior investimento emocional. As jovens aranhas, vividas por Sydney Sweeney, Isabela Merced e Celeste O’Connor, até demonstram carisma, mas o roteiro não lhes oferece nada além de correria e reações vazias.

A direção de S.J. Clarkson parece perdida em um piloto automático confuso. Enquadramentos estranhos, zooms mal utilizados e uma estética que lembra mais um episódio antigo de série televisiva do que cinema de grande escala. O ritmo se arrasta, a edição é picotada e as visões do futuro rapidamente se tornam cansativas. Tecnicamente, os efeitos especiais são datados, e o vilão Ezekiel Sims sofre com uma dublagem visivelmente mal ajustada, quebrando qualquer resquício de imersão.

Madame Teia não falha por ousar. Falha por não tentar. Um filme sem público, sem identidade e sem propósito.

Nota 1/5

Madame Teia (Madame Web)
Data de Estreia no Brasil: 15 de fevereiro de 2024
Direção: S.J. Clarkson
Elenco: Dakota Johnson, Sydney Sweeney, Isabela Merced, Celeste O’Connor, Tahar Rahim