A sensação ao final de Ghostbusters: Apocalipse de Gelo é de cansaço misturado com indiferença. Não há raiva nem frustração explosiva, apenas aquele esgotamento típico de quem percebe que a franquia entrou em modo automático. O encanto de ver os Caça-Fantasmas em ação, que Mais Além havia resgatado com certo cuidado emocional, aqui é substituído por uma fórmula burocrática, correta, mas sem qualquer brilho real.
A existência do filme soa puramente administrativa. Apocalipse de Gelo não parece nascer de uma ideia forte ou de uma necessidade narrativa, mas de uma decisão de escritório para manter a marca viva, os direitos ativos e a engrenagem do merchandising girando. Tudo está no lugar — o uniforme, os gadgets, a trilha —, mas nada pulsa. É franquia como produto de prateleira.
O roteiro é o maior problema. A história se apoia excessivamente no passado e em conceitos reciclados que nunca se conectam de forma orgânica. O vilão é genérico, desprovido de presença ou ameaça real, e o filme gasta tempo demais explicando regras, ciência fictícia e folclore, como se isso pudesse compensar a falta de envolvimento dramático. Quando o confronto finalmente acontece, ele se resolve rápido demais, esvaziando qualquer sensação de perigo.
O tom também nunca se encontra. O filme tenta emular um híbrido de aventura juvenil à la Stranger Things com comédia de herança, mas falha nos dois lados. O humor é morno, raramente engraçado, e o terror é completamente inofensivo. A tentativa de agradar simultaneamente fãs antigos e um público novo resulta em um meio-termo sem personalidade.
Nas atuações, o piloto automático é evidente. McKenna Grace ainda demonstra esforço e alguma entrega emocional, mas se perde em meio a um elenco inchado. Os veteranos Bill Murray, Dan Aykroyd e Ernie Hudson surgem mais como presença protocolar do que como personagens vivos, reforçando a sensação de obrigação contratual.
Na direção, Gil Kenan entrega um filme com cara de streaming caro. Falta pulso cinematográfico, inventividade nas cenas de ação e a sensibilidade que Jason Reitman havia demonstrado no longa anterior. O ritmo sofre com subtramas desnecessárias e personagens demais, o que torna a experiência arrastada.
Visualmente, o “apocalipse de gelo” prometido pelo marketing nunca se concretiza. A ameaça global se resume a uma paleta azulada e efeitos corretos, mas contidos, que jamais transmitem escala ou urgência.
Ghostbusters: Apocalipse de Gelo prova que nostalgia, sozinha, não sustenta um filme.
Nota 2/5
Ghostbusters: Apocalipse de Gelo (Ghostbusters: Frozen Empire)
Data de Estreia no Brasil: 11 de abril de 2024
Direção: Gil Kenan
Elenco: McKenna Grace, Paul Rudd, Carrie Coon, Bill Murray, Dan Aykroyd

