Zootopia 2 é, antes de tudo, um filme agradável. A sessão passa rápido, as piadas funcionam e o universo continua convidativo. Ainda assim, fica aquela sensação incômoda de que algo falta. A diversão existe, mas o impacto é menor. Diferente do primeiro filme, que surpreendia pela ambição temática e pela forma como usava a animação para falar de convivência e preconceito, a continuação soa confortável demais.
A decisão de retornar a esse universo é compreensível. Zootopia tem potencial para ser grande, diverso e expansivo. O problema é que essa expansão exige mudanças reais, e Zootopia 2 prefere o caminho mais seguro. Em vez de reinventar, o filme replica. Funciona, mas não empolga. A sensação é de que o estúdio optou por não arriscar quando tinha espaço de sobra para ousar.
Narrativamente, a estrutura praticamente espelha a do original. Duas figuras de mundos diferentes precisam aprender a trabalhar juntas, uma investigação que esconde mais do que aparenta e um vilão cuja verdadeira face surge apenas no momento conveniente. Tudo isso já foi visto antes. A falta de originalidade pesa, especialmente porque o roteiro raramente tenta subverter expectativas. O mistério cumpre sua função, mas dificilmente surpreende.
O tom permanece o mesmo do primeiro filme, equilibrando humor infantil com mensagens sociais acessíveis ao público adulto. Aqui, porém, esse equilíbrio soa automático. A mensagem sobre aceitação das diferenças está presente, mas sem a força ou o frescor de antes. Essa sensação de repetição fica ainda mais evidente na música: diferente de Try Everything, que virou identidade emocional do primeiro Zootopia, a trilha de Zootopia 2 cumpre seu papel, mas não deixa uma canção realmente marcante. Falta aquele elemento musical que ultrapassa o filme e cria vínculo afetivo com o público.
A parceria entre Judy e Nick continua sendo o grande trunfo. A química segue intacta e sustenta boa parte do envolvimento emocional. A dublagem brasileira, como de costume, entrega um trabalho muito competente, preservando humor e timing. Os novos personagens funcionam bem dentro da proposta, com destaque para Gary e a castora Nibbles, além de outras boas adições que ajudam a oxigenar o elenco, mesmo que nem todas sejam plenamente exploradas.
Na direção, a escolha é clara: repetir o sucesso. Não há um impulso real de reinvenção narrativa ou estética. O ritmo flui bem na maior parte do tempo, mas em determinado ponto se arrasta, especialmente quando o filme insiste em subtramas que pouco acrescentam ao conflito central.
Tecnicamente, Zootopia 2 é impecável. A animação é o grande destaque, com novos distritos visualmente criativos que expandem o charme e a imaginação desse mundo. É bonito, inventivo e detalhado. No fim, funciona muito bem como entretenimento familiar, mas deixa a impressão clara de que poderia ter sido mais ousado.
Nota 3,5/5
Zootopia 2 (Zootopia 2)
Data de Estreia no Brasil: 27 de novembro de 2025
Direção: Jared Bush
Elenco (vozes): Ginnifer Goodwin, Jason Bateman, Shakira, Ke Huy Quan
