Rivais seduz antes mesmo de tentar envolver. O impacto inicial é imediato, quase físico, impulsionado por uma trilha eletrônica pulsante e por uma encenação que transforma cada partida de tênis em espetáculo sensorial. O fascínio é real, mas há uma distância que se impõe. Ao fim da sessão, sobra mais a memória do ritmo, da estética e do som do que qualquer preocupação genuína com o destino daqueles personagens.
A existência do filme se justifica como exercício de estilo. Luca Guadagnino parece menos interessado em contar uma história essencial e mais em testar limites formais, brincar com montagem, música e erotização da competição. A trama é funcional, quase um pretexto elegante para sustentar escolhas visuais e rítmicas. Funciona como entretenimento moderno e estilizado, mas dificilmente como algo indispensável.
O roteiro constrói um triângulo amoroso que, em tese, é rico em tensão e jogos de poder. A dinâmica entre desejo, ambição e rivalidade existe, mas gira excessivamente em torno do mesmo eixo. A estrutura fragmentada, com idas e vindas no tempo, injeta energia e ritmo, porém também mascara a simplicidade do conflito. Linearmente, a história teria pouco fôlego, e esse truque narrativo às vezes soa mais como inflador do que aprofundamento.
O tom assume sem pudor o fetiche estilizado. Erotismo e competição se misturam de forma quase caricata em certos momentos, como se o filme oscilasse entre drama psicológico e videoclipe de luxo. Essa escolha dá identidade ao projeto, mas também compromete a sensação de realidade. O conflito raramente soa orgânico; ele é performado, encenado, exibido.
No centro está Zendaya, magnética e consciente do próprio impacto. Ela sustenta o filme como eixo gravitacional, mas quem traz camadas mais vulneráveis são Josh O’Connor e Mike Faist. O trio funciona em conjunto, embora os personagens estejam tão obcecados pela ideia de vencer que perdem parte da humanidade, virando mais arquétipos do que pessoas.
Na direção, Guadagnino entrega autoria clara, mas escorrega no maneirismo. Câmeras lentas, zooms agressivos e ângulos inusitados chamam mais atenção para a técnica do que para o drama. Ainda assim, o ritmo prende, a montagem é afiada e o clímax é adrenalina pura — mesmo que soe abrupto e mais estilístico do que emocionalmente satisfatório.
Tecnicamente, o filme é impecável. A trilha de Trent Reznor e Atticus Ross é o grande destaque, transformando o tênis em pulsação erótica. Rivais é vibrante, barulhento e provocador. Só não é profundo quanto imagina ser.
Nota 3,5/5
Rivais (Challengers)
Data de Estreia no Brasil: 26 de abril de 2024.
Direção: Luca Guadagnino
Elenco: Zendaya, Josh O’Connor, Mike Faist
