Ladrões impacta, mas não envolve. É um filme que chama atenção, incomoda em vários momentos, mas que nunca consegue me pegar de verdade. A sensação final é de algo que tenta ser intenso o tempo todo e acaba se perdendo no próprio exagero.
O tom é o primeiro ponto problemático. Darren Aronofsky sempre foi direto, sempre foi intenso, sempre gostou de provocar desconforto. Aqui, isso passa um pouco do ponto. O exagero não constrói tensão, ele cansa. O incômodo existe, mas não evolui, não aprofunda.
O roteiro começa com uma proposta interessante, mas se perde no caminho. A história não flui, não encontra um eixo claro. Parece saber onde quer chegar, mas não como conduzir o espectador até lá. O filme se arrasta em vários momentos e quebra qualquer envolvimento emocional que poderia surgir.
Austin Butler é o grande acerto. Ele convence totalmente no papel e segue provando que é um dos melhores atores de sua geração. Existe presença, entrega e controle. A química dele com Zoë Kravitz funciona muito bem, e o elenco secundário também é competente. O problema não está nas atuações.
A direção é puro Aronofsky. Marca fortíssima, estilo inconfundível, mas aqui isso joga contra. Em vez de servir à história, o estilo acaba engolindo o filme. Tudo é intenso demais, pesado demais, calculado demais para causar impacto. E quando tudo grita, nada ecoa.
O ritmo não ajuda. O filme não flui. Ele pesa. Dá a sensação constante de que poderia ser mais enxuto, mais objetivo, mais eficiente. A experiência vira resistência, não envolvimento.
No fim, Ladrões funciona principalmente para fãs do diretor, para quem já compra esse tipo de cinema autoral mais radical. Para quem busca um thriller urbano mais envolvente ou uma narrativa que realmente prenda, o filme fica devendo.
Nota: 3/5
Ladrões (Caught Stealing)
Data de Estreia no Brasil: 28 de agosto de 2025
Diretor: Darren Aronofsky
Elenco: Austin Butler, Zoë Kravitz, Regina King, Matt Smith, Vincent D’Onofrio
