Guerra sem Regras é diversão leve, eficiente e imediatamente descartável. O filme entrega exatamente o que promete durante a sessão ( ação fluida, humor ácido e personagens carismáticos ), mas não deixa resíduo emocional nem provoca reflexão. É entretenimento sólido que cumpre tabela e some da memória com a mesma rapidez com que resolve seus conflitos.

Não se trata de um filme que precisava existir. A proposta soa como exercício de estilo de Guy Ritchie, brincando de Bastardos Inglórios sem o peso dramático, histórico ou moral. A justificativa está menos na história que conta e mais no prazer de ver o diretor operar uma máquina que ele conhece de olhos fechados. Funciona como alternativa estilizada aos filmes de guerra tradicionais, mas nunca como evolução do gênero.

O roteiro assume desde cedo a estrutura de sucessão de missões “legais”. A narrativa é direta demais, quase protocolar, e sofre com a ausência de risco real. Os protagonistas parecem invencíveis, o que transforma cada operação em vitrine de eficiência, não em teste dramático. O resultado é um filme que anda rápido, mas sem tensão; avança, mas raramente envolve.

O tom, por outro lado, é consistente e até ajuda a aceitar o absurdo. A guerra aqui é “cartoon”, estilizada, violenta de forma coreografada e atravessada por humor seco. O filme nunca tenta ser realista, e essa honestidade evita choques de expectativa. O problema é que a escolha pelo exagero elimina qualquer urgência emocional: tudo parece sob controle o tempo inteiro.

O elenco funciona exatamente como o projeto pede. Henry Cavill está visivelmente se divertindo e sustenta o carisma do grupo, enquanto Alan Ritchson rouba cenas como a força bruta quase mitológica da equipe. Ainda assim, são personagens unidimensionais, definidos por traços únicos e pouco mais. Eles existem para cumprir a missão e parecerem “legais”, não para evoluir.

Na direção, Ritchie entrega mais uma variação de seus próprios maneirismos. Edição ágil, trilha sonora marcante, diálogos rápidos e violência estilizada formam um produto bem embalado, mas reconhecível demais. O ritmo flui sem cansaço, embora também sem picos de tensão. Visualmente, é competente e bonito, porém longe de qualquer traço revolucionário.

Guerra sem Regras é o tipo de filme perfeito para quem busca entretenimento sem peso, especialmente fãs do diretor. Diverte enquanto dura, mas confirma a impressão final: um bom passatempo que não insiste em ficar.

Nota 3/5

Guerra sem Regras (The Ministry of Ungentlemanly Warfare)

Data de Estreia no Brasil: 25 de julho de 2024

 Diretor: Guy Ritchie

Elenco: Henry Cavill, Alan Ritchson, Eiza González, Hero Fiennes Tiffin, Alex Pettyfer.