Quando soubemos que Guillermo del Toro, o mestre por trás de O Labirinto do Fauno e A Forma da Água, finalmente realizaria seu sonho de infância de adaptar Frankenstein, a expectativa foi às alturas. Esperávamos um terror denso, gótico e visceral. O resultado que chega à Netflix, no entanto, é uma obra grandiosa que brilha intensamente em alguns momentos, mas que estranhamente desafina em outros.

Comecemos pelo que, para mim, foi a maior surpresa: o elenco. Quando vi os nomes anunciados, confesso que tive um pé atrás. Colocar Jacob Elordi (o galã de Euphoria) ao lado de pesos pesados como Oscar Isaac (Victor Frankenstein) e Christoph Waltz parecia um risco. Eu estava pronto para apontá-lo como o elo fraco. Queimei a língua. Elordi não só segura a responsabilidade, como entrega um Monstro cheio de humanidade e dor física. Ele é o destaque emocional do filme, não devendo nada aos veteranos ao seu redor.

Visualmente, o filme é um banquete, como se espera de Del Toro. A ambientação de época é impecável. O design de produção e os figurinos não são apenas “bonitos”; eles contam história. Cada personagem tem uma paleta de cores específica que ajuda a definir sua personalidade e o seu arco dramático. É aquele tipo de filme que enche os olhos e justifica a aposta da Netflix para as categorias técnicas do Oscar 2026 (Cabelo e Maquiagem já parecem garantidos).

Porém, nem tudo funciona nesse laboratório. Para um filme que preza tanto pelo artesanal, a integração entre os efeitos práticos e os digitais é, em vários momentos, grosseira. Del Toro ama efeitos práticos — e nós também —, mas quando o filme tenta misturar isso com CGI, a imersão quebra. Há cenas onde o Monstro ou as criações parecem “bonecões” artificiais, criando um vale da estranheza que não deveria existir em uma produção desse calibre.

E se o visual oscila, o som, infelizmente, falha em momentos cruciais. Tive uma sensação muito específica durante a sessão: em em algumas cenas, logo no primeiro ato, a trilha sonora opta por um tom estranhamente “bobo”, quase infantil. Essa escolha de composição me “tirou” do filme várias vezes, quebrando o clima de seriedade que a atuação do elenco estava lutando para construir.

No fim das contas, o Frankenstein de 2025 é uma grande aposta, sim. É um filme que merece ser visto pela visão única de seu diretor e pela performance surpreendente de seu protagonista. Mas, seja pela cola visível nos efeitos especiais ou pelas notas erradas na trilha sonora, ele deixa a sensação de que poderia ser a obra-prima definitiva sobre o monstro… mas ficou no “quase”.

Nota: 3.5/5

Frankenstein
Data de Estreia no Brasil: 07 de Novembro 2025
Diretor: Guillermo del Toro
Elenco: Jacob Elordi, Mia Goth, Oscar Isaac, Christoph Waltz