Duna: Parte 2 é um filme que respira qualidade. Do visual à trilha sonora, passando pelas atuações e pelo cuidado técnico, tudo aqui é extremamente bem-feito. Villeneuve entrega mais um épico de ficção científica no mesmo nível da Parte 1. E talvez esse seja exatamente o ponto: ele é no mesmo nível. A Parte 1 foi tão impactante visualmente, tão inovadora no estilo, que chegar com a mesma fórmula, com a mesma estética e com a mesma grandiosidade já não causa aquele choque que tivemos em 2021. Impressiona, claro. Mas não surpreende mais.

A história é densa, como sempre foi. Eu conhecia a base da versão do David Lynch, que não é boa, mas já dá uma noção da complexidade desse universo. Também cheguei a começar o livro, que é pesado, complexo e cheio de camadas. A Parte 2 segue exatamente esse caminho: é fiel ao peso da obra original. Para mim, isso não afastou, porque eu já estava preparado. Mas muita gente deve ter sentido a mesma barreira do livro. É um filme que não segura a mão do espectador. Ou você acompanha, ou fica para trás.

O Paul Atreides do Timothée Chalamet tem uma evolução lógica. O filme leva a esse ponto e você compra a virada dele para algo maior. Mas vou ser sincero: algumas atitudes dele perto do final não convencem tanto. A construção faz sentido, mas a execução em alguns momentos não tem o impacto emocional que deveria ter.

A Zendaya funciona no mesmo nível da Parte 1. Ela está bem, entrega o papel, mas não tem um salto significativo de profundidade. A relação dela com o Paul é boa, é crível, mas nada que se destaque demais.

O verdadeiro acerto dessa Parte 2 é o Austin Butler como Feyd-Rautha. Ele domina o filme sempre que aparece. É um vilão inquietante, ameaçador e completamente à altura do universo de Duna. Tão vilanesco quanto o Barão e quanto o personagem do Dave Bautista. E o mais curioso é que, ao lado do Chalamet, ele destoa no melhor sentido possível. Traz uma energia diferente, mais agressiva, mais perigosa. Ele eleva as cenas.

Visualmente, o filme continua impecável. O deserto, as batalhas, os vermes, tudo impressiona. E as cenas em preto e branco são um espetáculo à parte. São um dos detalhes que mostram como Villeneuve pensa cinema com cuidado estético. Mesmo sem o impacto da novidade, o padrão é muito alto.

A trilha sonora do Hans Zimmer… nem preciso falar muito. Ele é gênio. É um dos pontos altos do filme. Constrói atmosfera, cria tensão, move a narrativa. Ele sabe exatamente o que fazer em ficção científica, e Duna é mais uma prova disso.

Os temas sociais continuam presentes: religião, fanatismo, poder, colonização. São claros, mas, por causa do impacto absurdo da Parte 1, aqui não chegam com o mesmo peso emocional. A mensagem continua forte, mas sem o mesmo impacto de novidade.

No final, Duna: Parte 2 é um ótimo filme. Tecnicamente impecável, cheio de méritos e com alguns momentos realmente grandiosos. Só não tem o mesmo impacto da Parte 1. É um daqueles casos em que o filme é excelente, mas a novidade já passou.

Nota: 4/5

Duna: Parte 2 (Dune: Part Two)
Data de Lançamento no Brasil: 29 de fevereiro de 2024.
Direção: Denis Villeneuve
Elenco: Timothée Chalamet, Austin Butler, Zendaya, Léa Seydoux, Florence Pugh, Rebecca Ferguson