
Conclave era um dos filmes que eu mais esperava entre os indicados daquele ano. O tema, por si só, já carrega uma curiosidade natural. A escolha de um novo Papa sempre traz mistério, intriga, conflito político e moral. Eu inclusive esperava um filme mais pesado, até pela minha relação pessoal com a religião retratada. Mas Conclave acaba indo pelo caminho mais seguro possível. Ele funciona, mas não entrega o que poderia.
O ritmo nunca chega a cansar. O filme anda, é envolvente e tem momentos visualmente belíssimos, principalmente nas cenas externas e nos corredores e interiores iluminados com uma elegância impressionante. Tecnicamente, é impecável. Fotografia, produção, reconstituição… tudo no capricho. Essa parte deve ganhar prêmio, porque realmente merece. O problema é que a profundidade não acompanha a beleza.
O roteiro opta por uma simplicidade que não combina com o tema. Parece até que o filme tinha medo de entrar nas polêmicas que naturalmente existem nesse ambiente. O Conclave é um terreno fértil para tensões reais, disputas de poder e revelações incômodas. Mas aqui tudo é mostrado sem grande densidade, quase sempre evitando o confronto direto. É como se as conversas girassem em torno de algo maior, mas sem coragem de chegar até lá.
Ralph Fiennes é o grande destaque e carrega o filme com tranquilidade. Ele convence em cada cena. É uma atuação muito sólida e talvez uma das melhores dele nos últimos anos. Ele entrega exatamente o que o papel precisa. Já a Isabella Rossellini foi a grande decepção. Não pela atriz, mas pela falta de relevância da personagem. Ela estava em todas as premiações, o marketing colocou expectativa nela, e eu realmente esperava que fosse uma figura chave para resolver conflitos ou criar tensões. Mas isso nunca acontece. É uma personagem que parece importante só no papel, não na história.
Os temas que o filme levanta — poder, corrupção, humanidade — estão lá, mas sem impacto. Não me afetaram emocionalmente e não tiveram força suficiente para sustentar as expectativas. E o final, para mim, foi exagerado e extremamente forçado. Uma virada que não se sustenta porque o filme não construiu nada antes para justificar. Não dá para fingir naturalidade quando nada levou àquela decisão. Foi jogado como solução e ficou com cara de improviso de roteiro. Faltou sinal, faltou preparo, faltou coragem.
No fim, Conclave é um bom filme. Funciona, tem qualidade técnica e uma grande atuação central. Mas poderia ser muito mais. Pela força do tema e pelo potencial dramático, dá a sensação de que ficou só na superfície. Quando chega ao momento decisivo, escolhe a saída mais fácil e menos coerente.
Nota: 3,5/5
Conclave
Data de Estreia no Brasil: 23 de janeiro de 2025
Diretor: Edward Berger
Elenco: Ralph Fiennes, Isabella Rossellini, Stanley Tucci, John Lithgow
