
A expectativa para Bailarina, o primeiro spin-off da franquia John Wick, era enorme, mas o filme dirigido por Len Wiseman se torna um exercício frustrante que não consegue, nem de longe, honrar o legado que o criou. O problema não é o orçamento, mas a visão e a coreografia, os pilares que sustentam todo o universo Wick.
O principal problema é claro: o filme não sustenta a qualidade coreográfica que Chad Stahelski estabeleceu na saga original. As sequências de luta, embora numerosas, parecem apenas um rascunho simplificado, e não o balé meticuloso de violência que esperávamos. Para uma franquia onde a ação é a tese, falhar neste ponto é fatal.
A protagonista, Rooney, interpretada por Ana de Armas, não consegue carregar o peso do filme. Embora a atriz tenha carisma e consiga entregar a fisicalidade exigida, o roteiro é excessivamente previsível. A jornada de vingança é tão óbvia — a quem ela procura, o porquê — que a personagem nunca se torna complexa ou surpreendente. Em um universo cheio de personagens icônicos, Rooney parece genérica, uma simples substituta que não justifica a própria existência.
E aqui reside a grande falha de Bailarina: ele se apoia na fama da franquia, mas não constrói sua própria estrutura. Nem mesmo as participações especiais de Ian McShane (Winston) e Keanu Reeves (John Wick) são suficientes para salvar o filme do nível mediano. A presença deles funciona mais como uma muleta narrativa para lembrar o público de onde este filme veio, e não como peças vitais para o avanço da história. Quando a presença do “Baba Yaga” não consegue elevar a qualidade da produção, está claro que a estrutura central (roteiro e ação) é fraca.
Bailarina é um subproduto que prova que ter o selo de John Wick não basta. É necessário ter a alma e, principalmente, a excelência na pancadaria.
Bailarina (Ballerina)
Data de Estreia no Brasil: 5 de junho de 2025
Diretor: Len Wiseman
Roteiro: Shay Hatten
Elenco: Ana de Armas, Keanu Reeves, Norman Reedus, Anjelica Huston, Gabriel Byrne
