
Anora é um filme que já começa avisando que não é para todo mundo. O selo “para maiores” aqui não é perfumaria, é necessidade. A história acompanha uma garota de programa que se envolve com um milionário russo, e o filme não esconde nada. O início é cheio de cenas de sexo explícitas, e isso deixa a primeira hora cansativa, não só pela exposição, mas porque o filme vende uma vida perfeita demais, quase uma fantasia cor-de-rosa que não combina com o restante da proposta.
Essa fase inicial poderia ter desenvolvido melhor a vida real da Anora, mostrado mais quem ela é, suas dificuldades e contradições. É uma vida arco-íris que não convence. Só que, quando essa ilusão quebra, o filme acende de verdade. É aí que ele mostra ao que veio.
Quando surgem Igor, Garnick e Toros, a história ganha vida. O filme muda completamente de tom e fica mais tenso, mais humano e até mais engraçado naquele humor estranho que aparece do caos. O Yuri Borisov está excelente como Igor e segurou a indicação de Ator Coadjuvante com folga. Ele tem presença e domina as cenas com naturalidade.
Mas quem realmente carrega Anora é a Mikey Madison. Ela entrega uma atuação completa, equilibrada, sem exageros, mas com força emocional. É aquela atriz que sabe quando segurar e quando deixar explodir, e isso faz com que a personagem tenha muita verdade. Se levasse o prêmio de Melhor Atriz naquele ano, faria sentido.
O final é totalmente condizente com o filme. Ele segue a mesma lógica emocional e narrativa que começou a se construir depois da virada. Não tenta forçar impacto barato e nem surpreender à força. É honesto com o que a história estava propondo.
E vale reforçar: Anora não é um filme universal. Tem muito conteúdo adulto, cenas que podem chocar e uma abordagem crua da vida da protagonista. É um filme pensado para um público específico, não para todos. Mas, dentro da sua proposta, ele funciona muito bem.
Mesmo com um início fraco, Anora cresce tanto que virou um dos filmes mais fortes da temporada e chegou aos debates de Melhor Filme com justiça. É cru, é inquieto e tem performances que carregam o que o roteiro às vezes não dá conta.
Nota: 4/5
Anora
Data de Estreia no Brasil: 23 de janeiro de 2025
Diretor: Sean S. Baker
Elenco: Mikey Madison, Yura Borisov, Mark Eydelshteyn, Karren Karagulian, Vache Tovmasyan
