Wicked: Parte 2 impressiona pela força musical, mas cobra um preço alto em desgaste. A sensação predominante ao fim é de admiração misturada ao cansaço. As canções continuam poderosas, as vozes são extraordinárias e a escala é inegável, porém o filme parece mais preocupado em cumprir obrigações narrativas do que em preservar o encantamento que fez a Parte 1 funcionar tão bem. O resultado é grandioso, mas exaustivo.
A existência do segundo capítulo se justifica principalmente pelo material musical do segundo ato. Wicked: Parte 2 ganha momentos íntimos importantes para Elphaba e Glinda, inclusive com canções inéditas que ampliam o vínculo entre as personagens. Ainda assim, o filme soa como um prolongamento necessário, não como uma obra que se sustenta sozinha. Seu peso emocional depende quase inteiramente do que foi construído antes, o que enfraquece sua identidade como experiência isolada.
O roteiro enfrenta dificuldades claras. O arco final funciona no macro, mas a execução é apressada. Há subtramas demais competindo por espaço. Nessa, Boq, o Mágico e as engrenagens que levam aos eventos de O Mágico de Oz são resolvidos em ritmo de checklist. As revelações sobre figuras icônicas como o Espantalho e o Homem de Lata surgem de forma previsível e pouco impactante, especialmente para quem não tem apego prévio ao musical de palco.
O tom mais sombrio e político é um acerto conceitual. O filme entende que Oz se transforma em um estado de propaganda e repressão, e essa mudança de clima é bem trabalhada. A tragédia pessoal de Elphaba ganha peso real nesse contexto. O problema é que, ao assumir esse viés mais duro, o filme perde quase totalmente o senso de diversão. É coerente, mas menos prazeroso.
As atuações seguem sendo o alicerce de tudo. Cynthia Erivo entrega uma Elphaba intensa, especialmente em No Good Deed, que se transforma em um colapso emocional convincente. Ariana Grande aprofunda Glinda com vulnerabilidade genuína, mostrando uma personagem presa a um sistema que ela ajuda a sustentar. Sem essa dupla, o filme dificilmente se manteria em pé.
Na direção, Jon M. Chu mantém a escala épica e o luxo visual, mas há uma sensação de pressa narrativa. As grandes sequências funcionam como cinema de espetáculo, porém a montagem de alguns números musicais novos compromete a fluidez dramática. O filme parece ansioso para chegar ao desfecho.
O ritmo é um dos pontos mais problemáticos. Mesmo sendo mais curto que a Parte 1, o longa parece mais longo. O segundo ato da história sempre foi mais caótico, e o filme não consegue resolver completamente esse desequilíbrio. A experiência se torna densa demais, quase saturada.
Visualmente, o padrão é alto. A Cidade Esmeralda continua deslumbrante e os figurinos impressionam. Ainda assim, a estética excessivamente polida em cenas que pediam mais sujeira e tensão cria um distanciamento. Falta aspereza visual para combinar com o peso dramático.
Wicked: Parte 2 funciona melhor para fãs fiéis que buscam fechamento. Para quem já saiu exausto da Parte 1 ou não se encantou totalmente, o filme pode soar como uma overdose de drama e obrigação narrativa.
Nota 3/5; Wicked: Parte 2 (Wicked: For Good)
Estreia no Brasil: 20 de novembro de 2025
Diretor: Jon M. Chu
Elenco: Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jonathan Bailey, Michelle Yeoh, Jeff Goldblum.
