Planeta dos Macacos: O Reinado foi respeitoso com a franquia base, mas não impactou. Tudo funciona no nível técnico, tudo impressiona no acabamento, mas o filme termina sem deixar aquela marca emocional que a trilogia anterior cravou com força. É um longa que se admira mais do que se sente. A frieza não vem da execução, mas da ausência de urgência dramática.

Como novo capítulo da franquia, o filme carrega o peso inevitável do que veio antes. Planeta dos Macacos: O Reinado tenta se vender como um recomeço, mas soa mais como um capítulo de transição alongado. Existe um esforço claro de estabelecer bases para histórias futuras, o que faz o presente parecer menos essencial. A impressão constante é de que a mesma história poderia ter sido contada com mais concisão e mais impacto.

O roteiro aposta em uma jornada clássica de amadurecimento. Noa é o jovem que precisa provar seu valor, atravessar perdas e entender o mundo além da própria aldeia. Funciona, mas no piloto automático. O elemento realmente interessante — a forma como o legado de César foi distorcido ao longo das gerações — surge como uma ideia poderosa, mas pouco explorada. O filme prefere gastar tempo em deslocamentos físicos do que em aprofundamento temático, o que dilui seu potencial filosófico.

O tom também reflete essa escolha. A densidade existencial da trilogia dirigida por Matt Reeves dá lugar a uma aventura pós-apocalíptica mais convencional. Não é um filme infantilizado, mas claramente mais leve. A seriedade visceral que separava Planeta dos Macacos de outros blockbusters é substituída por uma narrativa mais segura, menos disposta a incomodar.

As atuações, sustentadas pela captura de movimento, são tecnicamente irrepreensíveis. A tecnologia segue sendo referência absoluta, com destaque para o trabalho da Wētā FX, que transforma cada macaco em um personagem crível e expressivo. Ainda assim, poucos deles deixam marca emocional duradoura. Com exceção do vilão, os personagens funcionam mais como peças de enredo do que como figuras memoráveis.

Na direção, Wes Ball entrega um trabalho competente e respeitoso, mas claramente à sombra do legado. Falta um pulso autoral mais evidente, algo que faça o filme existir para além do zelo técnico. O ritmo sofre especialmente no segundo ato, onde a narrativa se arrasta antes de encontrar seu clímax.

Visualmente, é um espetáculo. As cidades retomadas pela natureza e o nível de detalhe nos personagens são impressionantes. Mas, no fim, o visual não consegue esconder a fragilidade dramática. O Reinado é um blockbuster sólido, seguro e bem feito — só não é tão necessário quanto a franquia já provou que pode ser.Nota 3/5

Planeta dos Macacos: O Reinado (Kingdom of the Planet of the Apes)
Data Estreia no Brasil:  9 de maio de 2024
Diretor: Wes Ball
Elenco: Owen Teague, Kevin Durand, Freya Allan, Peter Macon, William H. Macy.