TRON: Ares funciona, mas não impacta. E em um universo como TRON, isso é grave. O filme entrega o mínimo esperado em termos visuais, mas carece completamente de alma. A sensação final é de um produto correto, tecnicamente aceitável, porém vazio — algo feito mais por obrigação do que por necessidade criativa.
E essa é a pergunta central: por que esse filme existe? Narrativamente, não há uma razão forte. O primeiro TRON se tornou cult com o tempo, muito mais por sua ousadia estética do que pela história. TRON: O Legado conseguiu atualizar esse universo, trouxe identidade visual marcante e uma trilha sonora que virou referência. Já TRON: Ares não justifica seu retorno. A impressão é clara: o filme existe mais para sustentar a marca e justificar atrações de parque do que para contar uma história relevante.
A conexão com os filmes anteriores não funciona bem. Para quem não conhece a franquia, o envolvimento é quase nulo. Para quem conhece, falta profundidade. O longa não expande o universo, não acrescenta camadas e não provoca reflexão. Ele apenas ocupa espaço dentro de uma mitologia que já parecia encerrada.
O tom é perdido. O filme não decide se quer ser uma ficção científica mais filosófica, um blockbuster de ação ou um espetáculo visual. Ele tenta um pouco de tudo e não se compromete com nada. Isso afeta diretamente o ritmo e o engajamento. Existem “barrigas” claras ao longo da narrativa, momentos em que a história simplesmente não avança.
Jared Leto é outro ponto problemático. Ele funciona melhor como coadjuvante do que como protagonista. Em vários momentos, sua presença soa artificial, distante, quase deslocada do peso que o personagem deveria carregar. Falta humanidade, falta conexão emocional. Como figura central, ele não sustenta o filme.
A direção não traz nada de novo. Não há identidade própria. O filme vive da estética já conhecida de TRON, repetindo fórmulas sem reinventá-las. Visualmente, continua bonito, isso é inegável, mas beleza sozinha não sustenta um longa. A comparação com a trilha sonora do segundo filme é inevitável — e injusta, talvez —, mas escancara a falta de impacto aqui. A trilha atual é correta, porém esquecível.
No fim, TRON: Ares pode até funcionar para fãs de ficção científica, mas dificilmente empolga. É um filme que cumpre tabela, mas não deixa marca. E para uma franquia que sempre se apoiou em identidade e ousadia, isso soa como o maior fracasso.
Nota: 2,5/5
TRON: Ares (TRON: Ares)
Data de Estreia no Brasil: 9 de outubro de 2025
Diretor: Joachim Rønning
Elenco: Jared Leto, Greta Lee, Evan Peters, Jodie Turner-Smith, Cameron Monaghan
