Casa de Dinamite não funciona como deveria. E o problema não é exatamente a proposta, mas a execução. Vindo de Kathryn Bigelow, uma diretora que construiu carreira explorando tensão, conflito e adrenalina de forma visceral, a expectativa era alta. O que o filme entrega, porém, é uma versão enfraquecida de temas e estilos que ela já dominou muito melhor no passado.

A sensação predominante ao final é cansaço. O filme tenta criar um clima constante de iminência, de algo prestes a explodir, mas essa tensão raramente se sustenta. Em vários momentos, o tom parece forçado. A narrativa empurra o espectador para sentir urgência, em vez de construí-la organicamente. Com o tempo, isso desgasta mais do que envolve.

O roteiro começa com uma proposta interessante, mas perde força conforme avança. Falta progressão dramática. A história não escala, não aprofunda os conflitos, e acaba girando em torno de si mesma. Há uma clara intenção de discutir temas sérios, mas eles ficam diluídos pela repetição e pela ausência de um arco narrativo mais firme.

O elenco é competente, mas nenhum ator consegue realmente brilhar. E isso chama atenção, porque estamos falando de profissionais experientes. Não é falta de talento, é falta de material. Os personagens são pouco desenvolvidos, não evoluem, e acabam presos a funções narrativas limitadas. O resultado é um desperdício evidente de potencial.

Na direção, reconhecemos imediatamente a mão da Bigelow. A identidade está ali, seja na forma de filmar, seja na tentativa de criar tensão física e psicológica. O problema é que tudo soa automático. Falta energia, falta risco, falta aquela sensação de urgência que marcou seus trabalhos mais fortes. Aqui, a diretora parece repetir gestos já conhecidos, sem reinventá-los.

Tecnicamente, o filme acerta mais do que erra. A fotografia e o som são os pontos altos. A ambientação é bem construída, ajuda a criar clima e sustenta a proposta quando o roteiro falha. Existe um cuidado estético evidente, mas ele não é suficiente para compensar as fragilidades narrativas.

No fim, Casa de Dinamite é um filme que tinha todos os elementos para funcionar melhor: diretora consagrada, elenco sólido e uma proposta de tensão contemporânea. Mas o resultado é morno. Não explode, não marca e fica aquém do que se espera do nome envolvido.

Nota: 2,5/5

Casa de Dinamite (A House of Dynamite)
Data de Estreia no Brasil: 24 de outubro de 2025
Diretora: Kathryn Bigelow
Elenco: Idris Elba, Rebecca Ferguson, Jason Clarke, Lily James, Jeremy Strong