Branca de Neve (2025) simplesmente não funcionou para mim. E não é nem uma questão de expectativa frustrada, é algo mais básico: esse filme não era necessário. Em nenhum momento senti que havia uma razão real para ele existir além da insistência da Disney em revisitar seu catálogo clássico em versão live-action.

A proposta fica clara desde o início: tentar dar mais profundidade à personagem, atualizar discursos e “modernizar” a história. O problema é que isso não resulta em um filme melhor. Pelo contrário. O encanto do original se perde, e o que sobra é uma obra sem identidade, sem magia e sem direção clara.

A nova Branca de Neve até convence nas canções. Ali, ela funciona. Vocalmente é competente, segura, entrega o que o musical pede. Mas falta carisma. Falta aquela presença que sustenta um conto de fadas. Fora das músicas, a personagem se torna quase apagada, não segura o filme como deveria.

A Rainha Má é outro problema sério. A atuação é forçada, sem ameaça real, sem imponência. A vilã nunca domina a cena, nunca cria tensão. E em uma história como Branca de Neve, isso é fatal. Quando a vilã não funciona, metade do filme desmorona junto.

O tom é completamente perdido. O filme não encanta como o original, não assume totalmente um caminho infantil, nem consegue ser uma releitura madura de verdade. Fica preso no meio do caminho, tentando agradar todo mundo e não agradando ninguém.

Visualmente, tudo dá errado. Mas nada é tão problemático quanto os anões em CGI. A Disney claramente ficou com medo de escalar atores reais e acabou optando por uma solução artificial, exagerada e estranha. O resultado é desconfortável de assistir e tira qualquer imersão. É uma decisão criativa que pesa contra o filme do início ao fim.

As músicas novas são esquecíveis. Nenhuma marca, nenhuma fica na cabeça. E isso dói ainda mais quando falamos de um dos filmes mais importantes da história da Disney.

O que mais chama atenção é a ousadia, no mau sentido. Estamos falando do longa favorito do próprio Walt Disney. Mexer nisso exige um cuidado absurdo, que claramente não existiu aqui. Eu já tinha falado no início do ano que essa escolha era arriscada e que iria mexer com muitos fãs. Dito e feito.

Ainda bem que a animação clássica continua existindo. Porque esse remake entra, sem esforço algum, no top 3 de piores live-actions da Disney. Não sou o público-alvo, é verdade. Mas mesmo tentando olhar com distanciamento, o filme falha nos pontos mais básicos.

Nota: 2/5

Branca de Neve (Snow White)
Data de Estreia no Brasil: 20 de março de 2025
Direção: Marc Webb
Elenco: Rachel Zegler, Gal Gadot, Andrew Burnap